Reflexões de Thomas Merton

Uma coletânea de breves textos garimpados semanalmente nos escritos de Merton. Revestidos de sinceridade e envolvente poesia, convidam o leitor a meditar sobre verdades duradouras!

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Nome: SafTM
Local: Rio de Janeiro, Brazil

A Sociedade dos Amigos Fraternos de Thomas Merton visa a despertar o interesse pela pessoa, vida e obra desse monge que inspira em muitos a busca da vida contemplativa. Diz ele que a contemplação é "a mais alta expressão de vida intelectual e espiritual do homem" e um fator de renovação de um mundo onde vigore a paz e a justiça.

30 Junho 2008

A busca da unidade

“ É fato bem conhecido que, no Oriente, na China, na Índia, no Japão e na Indonésia, a vida religiosa e contemplativa é promovida há séculos e conheceu um desenvolvimento de uma riqueza ímpar. Durante séculos, a Ásia foi um continente de grandes comunidades monásticas. Ao mesmo tempo, a vida solitária floresceu ou à sombra dos mosteiros ou em florestas, montanhas ou desertos. O yoga hindu, em suas várias formas, tornou-se quase lendário em termos de contemplação oriental. O yoga recorre a uma variedade de disciplinas e técnicas ascéticas para a ‘libertação’ do espírito humano das limitações que lhe impõe a existência material, corpórea. Em todo o Oriente, seja no hinduísmo ou no budismo, encontramos essa sede profunda, indizível, de beber nos rios do Paraíso. Sejam quais forem as filosofias e teologias por trás dessas formas de existência contemplativas, o esforço é sempre o mesmo: a busca da unidade, o retorno para o eu mais interior unido com o Absoluto, a busca Daquele que está acima de tudo, e em tudo, Daquele que Só Ele é Só.”

The Inner Experience
, de Thomas Merton
Editado por William H. Shannon
(HarperSanFrancisco, San Francisco) 2003, p. 29-30
No Brasil: A Experiência Interior, (Martins Fontes Editora, São Paulo), 2007. p.

Reflexão da semana de 30-06-2008

Um pensamento para reflexão: “A oração é liberdade e afirmação crescendo a partir do nada em direção ao amor. A oração é o florescimento da nossa liberdade mais interior em resposta à Palavra de Deus.”
Contemplação num mundo de ação, Thomas Merton

29 Junho 2008

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23 Junho 2008

Se não há silêncio, não há religião

“ Se não há silêncio para além e dentro de palavras de doutrina, não há religião, apenas ideologia religiosa. Isto porque a religião vai além das palavras e ações, e atinge a verdade última no silêncio. Quando falta esse silêncio, onde existem apenas as ‘muitas palavras’ e não A Palavra há muito alvoroço e atividade, mas nenhuma paz, nenhum pensamento profundo, nenhuma compreensão, nenhuma quietude interior. Quando não há paz, não há luz. A mente hiperativa tem a impressão de ser desperta e produtiva, mas isto é um sonho. Apenas no silêncio e na solidão, na quietude da adoração, na reverente paz da oração, a adoração na qual todo o ego silencia e se humilha na presença do Deus Invisível, só nessas ‘atividades’ que são ‘não-ações’ o espírito realmente desperta do sonho de uma existência dividida e confusa.”

Honorable Reader: Reflections on My Work, de Thomas Merton
Editado por Robert E. Daggy
(Crossroad, Nova York) 1989, p. 115

Reflexão da semana de 23-06-2008

Um pensamento para reflexão: “Quem quer uma vida espiritual, precisa unificar a própria vida. Uma vida é ou toda ou nada espiritual. Ninguém pode servir a dois senhores. A sua vida é plasmada pela finalidade para a qual você vive. Você é feito à imagem daquilo que deseja.”
Na liberdade da solidão, Thomas Merton.

16 Junho 2008

O silêncio do mundo e o nosso barulho

“ Os que amam o ruído que fazem são impacientes com o resto. Desafiam constantemente o silêncio das florestas, das montanhas e do mar. Passeiam com suas máquinas pela floresta silenciosa, em todas as direções, cheios de medo de que um mundo calmo os acuse de vazios. A pressa da sua velocidade, a pretexto de um fim, simula ignorar a tranqüilidade da natureza. O avião ruidoso, por sua trajetória, por seu estrondo, por sua força aparente, por um momento parece negar a realidade das nuvens e do céu. Vai-se o avião, fica o silêncio do céu. Afasta-se ele, a tranqüilidade das nuvens permanece. O silêncio do mundo é que é real. O nosso barulho, os nossos negócios, os nosso planos e todas as nossas fátuas explicações sobre o nosso barulho, negócios e planos, tudo isso é ilusão.”

No Man is an Island, de Thomas Merton
(Harcourt Brace Jovanovich, Publishers, New York), 1955. p. 257
No Brasil: Homem algum é uma ilha, (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 216
Reflexão da semana de 16-06-2008

Um pensamento para reflexão: “Não é o falar que rompe nosso silêncio, mas a ansiedade de ser ouvido. As palavras do orgulhoso impõem silêncio aos demais, de maneira que só ele possa ser ouvido. O humilde nada pede senão uma esmola; depois, espera e escuta.”
Na liberdade da solidão, Thomas Merton

Homem algum é uma ilha

Este livro junto com o "Novas sementes de contemplação" são considerados os dois mais importantes livros de espiritualidade de Merton e portanto são habitualmente incluídos como os favoritos dos seus leitores. De certa forma, como o próprio Merton explica no prefácio de "Novas sementes...", o livro é em boa medida uma continuação do "Homem algum é uma ilha"

Já foram publicadas 18 Reflexões no blog:

A ilusão do barulho
A paz consigo mesmo
A vida é imperfeita
Admiração por meus atos
Atividade e descanso
Deus em nós
Em silêncio, com Deus
Esperança e caridade
Essa única coisa necessária
Integração ao mistério de Cristo
Na serenidade do nosso próprio ser

O sentido real da vontade de Deus
O silêncio do mundo e o nosso barulho
Secretos poderes
Seguindo nossa vocação
Um só corpo
Uma sabedoria diferente
Viver em um verdadeiro contexto humano

09 Junho 2008

Ouvir as palavras em silêncio

“ A mensagem da misericórdia de Deus para com o homem deve ser anunciada. A palavra da Verdade tem de ser proclamada. Isso não pode ser negado. Entretanto, não são poucos os que começam a sentir a inutilidade de acrescentar mais palavras ainda à continua maré que se derrama, sem sentido, sobre todos, em toda parte, da manhã à noite. Para que a linguagem possa ter sentido, é necessário que haja, em algum lugar, intervalos de silêncio para separar uma palavra da outra, um pronunciamento do outro. Quem se retira em busca de silêncio não necessariamente odeia a palavra. Talvez sejam o amor e o respeito pela linguagem humana que lhe impõem silêncio. Pois a misericórdia de Deus só é ouvida em palavras se for ouvida - tanto antes como depois de pronunciadas as palavras — em silêncio.”

Disputed Questions, de Thomas Merton
(Harcourt Brace Jovanovich, Publishers, New York), 1960. p. 195
No Brasil: Questões abertas, (AGIR, Rio de Janeiro), 1963. p. 217
Reflexão da semana de 09-06-2008

Um pensamento para reflexão: “Que eu procure, pois, o dom do silêncio, da pobreza e da solidão, onde tudo que toco se transforma em oração; onde o céu é minha oração, os pássaros são minha oração, o vento nas árvores é minha oração, pois Deus é tudo em tudo.”
Na liberdade da solidão, Thomas Merton

Questões Abertas

Reflexo de um exame contínuo das relações entre a vida monástica e contemplativa e a necessidade de uma expressão espiritual no mundo secular, Questões Abertas (Disputed Questions, em inglês) apresenta uma série de ensaios que exploram a convergência das vidas ativa e contemplativa e o relacionamento das pessoas com os organismos sociais.

Indo de uma descrição da comunidade monástica grega de Monte Atos até a discussão do poder espiritual destrutivo do racismo, Merton consegue ser, ao mesmo tempo, instigante e profundo ao conduzir seus leitores a difíceis questões da existência moderna juntando os valores religiosos tradicionais à preocupação com as necessidades espirituais de nossos dias.

Até o momento 10 trechos do livro foram reunidos neste blog. Clique nos links abaixo para visitá-los:

A capacidade de amar
Acumulando bens e satisfações
O “eu” verdadeiro
O mal cometido “para o bem comum”...
O poder do amor
O poder sobre o mundo e a infelicidade
Ouvir as palavras em silêncio
Um amor que nos transforma
Um mundo melhor sem Deus?
Uma mistura de bem e mal

02 Junho 2008

Para que o homem se faça Deus

“ O que agora se necessita não é apenas o cristão que se compraz internamente com as palavras e o exemplo de Cristo, mas aquele que segue Cristo de forma perfeita, não só em sua vida pessoal, não só na oração e na penitência, mas também em seus compromissos políticos e em todas as responsabilidades sociais. Certamente não precisamos de uma espiritualidade pseudo-contemplativa que afirma ignorar por completo o mundo e seus problemas e supostamente se dedica às coisas de Deus, sem se preocupar com a sociedade humana. Toda verdadeira espiritualidade cristã, mesmo a do cristão contemplativo, é e sempre deve ser profundamente preocupada com o ser humano, pois ‘Deus se fez homem para que o homem se faça Deus’ (S. Irineu). O espírito cristão é de compaixão, responsabilidade e compromisso. Não pode ser indiferente ao sofrimento, à injustiça, ao erro e à inverdade.”

Peace in the Post-Christian Era
, Thomas Merton
Editado por Patricia A. Burton
(Orbis Books, Maryknoll, NY), 2004, p. 135
No Brasil: A paz na era pós-cristã, (Editora Santuário, Aparecida do Norte), 2008, p.
Reflexão da semana de 02-06-2008

Um pensamento para reflexão: “Vivemos à beira do desastre porque não sabemos como deixar a vida acontecer. Não respeitamos as contradições e paradoxos vivos e fecundos de que a verdadeira vida está cheia. Nós os destruímos, ou tentamos destruí-los, com nossas sistematizações obsessivas e absurdas. Quer o façamos em nome da matéria ou em nome do espírito, faz pouca diferença no final. Existem ateus que lutam contra Deus e ateus que afirmam acreditar Nele: o que ambos têm em comum é o ódio à vida, o medo da imprevisibilidade, o horror à graça e a recusa de todo dom espiritual.”
A Thomas Merton Reader, editado por Thomas P. McDonnell

26 Maio 2008

Amor: o alicerce mais profundo do meu ser!

“ Será que realmente renunciamos a nós mesmos e ao mundo para encontrar Cristo? Ou renunciamos ao nosso eu falso e alienado para escolher nossa verdade mais profunda ao escolher o mundo e Cristo ao mesmo tempo? Se o alicerce mais profundo do meu ser é amor, então nesse próprio amor, e em nenhum outro lugar, encontrarei a mim mesmo, ao mundo e a meu irmão e irmã em Cristo. Não é uma questão de ‘isto ou aquilo’, mas de tudo em um. Não é uma questão de exclusividade e ‘pureza’, mas de integridade, inteireza, unidade e da gleichheit (igualdade) de Mestre Eckhart, que encontra o mesmo fundamento de amor em tudo.”

Contemplation in a World of Action, de Thomas Merton
(Doubleday & Co., Garden City, NY), 1973. p. 171
No Brasil: Contemplação num mundo de ação, (Ed. Vozes, Petrópolis), 1975. p. 154-155
Reflexão da semana de 26-05-2008

Um pensamento para reflexão: “A Bíblia é um livro ‘mundano’ no sentido de que vê Deus no próprio centro da vida e do trabalho humanos, das relações dos homens com os outros homens, sua diversão e sua alegria.”
Que livro é esse?, Thomas Merton

Contemplação num mundo de ação

Treze Reflexões deste livro foram publicadas no blog até esta data. Clique nos títulos!
A disciplina que conduz ao amor
A função da disciplina
Amor: o alicerce mais profundo do meu ser!
Confronto entre o mundo e Cristo?
Disciplina e consciência crítica
Escolher o mundo
Mais brilhante do que a prata

O mundo e o íntimo do nosso ser
Optar pelo mundo

Oração: liberdade brotando do nada
Poder e alienação
Respostas obrigatórias
Uma nova auto-descoberta

(Clique nos títulos acima para ler os textos. Clique em Home, no fim de cada texto, ou no ícone Voltar do seu navegador, para voltar a esta página.)